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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Arquiteta pensando como engenheira


Há alguns posts atrás, publiquei um texto que falava da minha aproximação com a HP e a convivência com os números que têm sido bem mais constantes no meu dia-a-dia. Hoje, venho escrever basicamente o que o título sugere: meu sangue de arquiteta vem se diluindo e se misturando com o dos engenheiros.

Ai ai, é duro assumir isso, mas é a verdade! Na última vez que encontrei meus amigos da faculdade, que hoje são excelentes arquitetos, eles previram exatamente esta realidade: “Enquanto nós estivermos discutindo conceitos e projetos, a Luana estará se preocupando com os números e as viabilidades”.

Pois é, tenho que entregar aqui para vocês, não consigo mais visualizar o projeto desvinculado dos números. “Será que isso é mal de incorporador? E de engenheiro-incorporador?” Mal ou não, cá estou eu sendo contagiada...

Nas últimas semanas, vivenciei duas situações que eu pude constatar isso. A primeira delas foi uma proposta de masterplan para um dos nossos terrenos em negociação, apresentado por um escritório de arquitetura muito bom aqui de Fortaleza. O projeto era inovador, autêntico, bem representado e encantava aos olhos de qualquer cliente. Mas tinha um detalhe: a área construída proposta não atingia nossos números. Esse foi um motivo suficiente para o projeto desencantar aos nossos olhos e não ser aceito, mesmo com todo grau de originalidade, de boas idéias e bons conceitos. Não era viável! E eu concordei totalmente.

O outro exemplo foi de uma apresentação de conceito para algumas tipologias de edificações, para um outro empreendimento nosso. As idéias muito boas e os espaços maravilhosos, com nenhum exemplo semelhante aqui no Ceará. Porém, a apresentação me impacientava, justamente porque os números (nesse caso) ultrapassavam nossas áreas previstas e porque eu pensava no retrabalho para viabilizar as propostas do projeto com as condições ambientais, de topografia e legislação locais, já que o arquiteto é de São Paulo e conceituou sem esse embasamento.

Pois é, hoje posso afirmar que meus olhos já não se encantam apenas por boas idéias e bons projetos. Acredito que seja mais inteligente e mereça mais méritos, quando o arquiteto consegue tornar esses conceitos viáveis, construíveis. A boa idéia só é realmente comprovada como boa, se consegue se tornar realidade.

Que pensamento pragmático! Pois é, e eu sou quase uma arquiteta!


Luana Marques

sexta-feira, 23 de maio de 2008

A Arquiteta e a HP 12C

É, os tempos mudaram. Não posso mais me contentar com a simples e velha calculadora de somar, subtrair, multiplicar e dividir. Os tempos são outros e as atividades são bem mais complexas.

Sou estudante de arquitetura da UFC, contemporânea de um currículo modificado, cujas disciplinas já não contemplam cálculos tão abstrusos que exigem extensos raciocínios com HP´s. Meu histórico escolar apresenta poucas disciplinas que precisaram, ao menos, de calculadoras científicas.

É, os tempos mudaram. Quando escolhi o curso de arquitetura um dos pré-requisitos era o gosto pelo cálculo (física, por exemplo, era disciplina específica para passar no vestibular), mas entrei exatamente na mudança de currículo e a expectativa pelo cálculo, pelo raciocínio numérico, ficou restrita em poucas disciplinas como de cálculo de estrutura ou resistência de materiais.

Fora da faculdade, nos estágios e experiências profissionais, também não cheguei a necessitar, no kit sobrevivência, de nenhuma calculadora HP. A simples e velha calculadora sempre resolveu meus problemas.

É, mas como falei, os tempos mudaram, e a arquitetinha aqui tem precisado cada vez mais se familiarizar com a tal da HP. E tem apanhado bastante... Desde que começou o Programa Trainee a presença da HP é cada vez mais próxima e necessária, tenho gostado de descobrir suas façanhas.

Comecei a ver a HP com outros olhos no Programa Trainee. Fui apresentada para ela, de forma mais aprofundada, (porque antes eu pegava, ensaiava alguma coisa e não saía nada fundamentado) nas aulas dos cursos de matemática financeira e contabilidade financeira. E, óbvio, que me assustei com tantos comandos e equações. A partir daí, vivenciando os estágios internos na Incorporadora, não deu outra, a HP faz parte da vida de todos. Quando é esquecida em casa, sempre tem alguém para socorrer nesse caso de vida ou morte, afinal são inúmeros cálculos de viabilidades, preços de vendas, índices, pagamentos, comissões ... que a simples e velha calculadora não resolve.

Semana passada, em um desses esquecimentos, fui a convocada para providenciar a tal da HP e quem disse que eu tinha?! Toda tranqüila, falei: “Olha, vou pedir aqui para alguém, afinal não tenho.” Foi quando fui surpreendida com um enorme: “O quêêêê?! Você não tem uma HP?”. Nesse momento me senti literalmente uma E.T.

É, os tempos mudaram, as atividades são bem mais complexas e não posso mais me contentar em pedir emprestado uma HP. Se antes eu estava acostumada com minhas experiências profissionais e minhas disciplinas sem necessitar do uso da HP, hoje não posso mais ficar indiferente a ela. Já está anotado nas minhas pendências: comprar HP 12C, é um pré-requisito profissional, é questão de sobrevivência.

Luana Marques

sexta-feira, 7 de março de 2008

Arquitetura sustentável, novas diretrizes

De volta às aulas da faculdade de arquitetura e em meio a pesquisas relacionadas à arquitetura sustentável, li alguns estudos sobre o assunto que me chamaram a atenção.

Lembrando que, quando falamos em arquitetura sustentável, logo pensamos em métodos de utilização de energia solar e eólica, reaproveitamento de água, e, no máximo, utilização de materiais recicláveis.

Após essa rápida análise, pergunto: Você já parou para pensar na reutilização de edifícios subutilizados para a construção de novos empreendimentos?

Enganam-se os que pensam que o assunto não tem nada a ver com sustentabilidade.

De acordo com as pesquisas que encontrei, cerca de 40% do gasto mundial de energia vêm da construção, uso e manutenção de edifícios.

Além disso, enquanto apenas 1% da construção na Europa refere-se a novas edificações, estima-se que no Brasil essa ordem seja superior a 70%.

Em São Paulo, por exemplo, existem inúmeros edifícios situados na Av. Paulista que estão desocupados devido à insustentabilidade de seus projetos que não valorizaram tanto a iluminação quanto a ventilação natural.

Em meio à realidade de nossa cidade, mesmo sem fazer um levantamento preciso, sabemos que existem alguns edifícios que estão nessa situação de subutilização.

Edifícios como o Hotel Savana, o Excelsior, Esplanada, Marinho de Andrade, entre outros.

Assim, de acordo com a necessidade atual de lidar com essa realidade de escassez de recursos, é papel dos arquitetos, estudar e apresentar novas possibilidades que visem à redução do impacto ambiental.


Ellen Yanase

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Do Abstrato ao Concreto.

“Certa palavra dorme na sombra de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida a senha do mundo.
Vou procurá-la.Vou procurá-la a vida inteira no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro, não desanimo,procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura ficará sendominha palavra.”
(Carlos Drummond de Andrade)


Pense rápido: O que há em comum entre uma poesia e um edifício?

Parece estranho tentar comparar esses dois vocábulos completamente diferentes. Mas ambos nascem de conceitos, idéias que os mentores querem passar para quem terá contato com o produto final.


Por vezes, vemos alguns edifícios bonitos que parecem mais obras de arte. O que há por trás deles? São conceitos que dão sentido às formas, desenhos, detalhes que para a maioria de nós agrega pouco valor, mas que para o autor, arquiteto, possui uma gama de significados.

O mesmo acontece com as poesias. O escritor tenta utilizar vários recursos para mostrar o que pensa e sente. Utiliza formas, expressões, aprofunda um determinado tema. Muitas vezes nós, leigos, não percebemos o que se passa na vida de um escritor e, por isso, não conseguimos extrair o real significado do que ele diz.

Tanto o poeta quanto arquiteto utilizam os seus conhecimentos para expressar-se. Um transforma suas idéias em texto e o outro em prédios. Ambos insistem durante anos até encontrar a real expressão de suas vidas. Essa seria a tal “palavra” que Carlos Drummond de Andrade cita e está na epígrafe.

Portanto, ao olhar para um prédio, procure ver mais do que o físico. Vá além! Busque a idéia por trás do grande bloco de concreto e aço que está na sua frente. Tenho certeza de que irá descobrir muita coisa interessante!

Iolam Júnior

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Vida de trainee

Caros leitores,

Gostaria de falar para vocês hoje um pouco da vida de um trainee.
Alguém quer saber como tudo começou? Bem, mesmo assim irei falar! Rrss

As vagas para o curso de Arquitetura e Urbanismo foram abertas depois de todos os cursos. Estava no estágio quando recebi um e-mail do meu coordenador falando da seleção. Na hora do almoço, organizei o material necessário e fui para a Marquise. Já estava na correria típica de um trainee sem perceber! Tinha aula as 14:00 h e não sabia se chegaria à tempo.

As etapas seletivas foram acontecendo e eu fui passando. Como sou muito perfeccionista, sempre achava que não passaria para a próxima fase. Tivemos duas dinâmicas em grupo, prova de redação, inglês e Excel, teste comportamental e três entrevistas. Não esqueço da sexta-feira em que abri o e-mail dizendo: Parabéns você foi aprovado para Trainee do Grupo Marquise. Não sabia se ria, ou se chorava.

Tivemos treinamentos introdutórios e fomos inseridos em estágio interno. Quando vi meu cronograma tinha setor de contabilidade, jurídico, financeiro... Eu, futura arquiteta, o que farei nesses setores? Que frio na barriga! Hoje vejo como fui tola! É um grande diferencial! Quantas arquitetas terão a oportunidade de conhecer o funcionamento por inteiro de uma grande empresa?

Passados quase dois meses do início do programa é perceptível o meu crescimento. Os hábitos, os programas e a rotina mudaram. A leitura de quatro livros e elaboração de resenhas, leitura de jornais e artigos para a discussão da conjuntura, postagens e entrega de relatórios têm sido excelente para o engrandecimento cultural de todos. Além do mais, ainda têm que conciliar com os trinta créditos na faculdade, família, namorado, amigas... É cansativo? Muito! Exige sacrifícios? Sim. Vale mesmo a pena? Demais. Isso não é nada na frente de tantas novas amizades, tantos conhecimentos, tantos tutores encontrados...

O clima organizacional é muito bom e a Marquise é uma família onde todos estão dispostos a ajudá-lo. É incrível como as pessoas lhe dão motivação quando você mais precisa, sem nem mesmo perceber. Os quinze trainees também estão muito unidos. É incrível como todos se completam, cada um com suas peculiaridades. Tem sido muito bom passar o sábado ao lado deles e de nossa tutora Glória Molinari. Ah sim! Esqueci de dizer que aos sábados temos cursos e treinamentos.

Você que está começando, ou pensa em ser trainee não desista, invista! Até rimou! Rss É cansativo, desgastante, mas vale a pena. Não existe vitória sem sofrimento.

Manoela Vieira

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Abrindo o Blog para Convidados

Boa noite caros leitores,
Completando o ciclo de postagens dos 15 trainees ao final da semana passada, decidimos que seria interessante abrir o Blog para alguns convidados, de maneira a compartilhar com vocês um pouco do conhecimento dessas pessoas que de alguma forma admiramos e acreditamos em sua contribuição para o enriquecimento deste.
Sendo assim, temos como primeira convidada a professora de arquitetura e urbanismo Fernanda Rocha. A seguir o seu artigo:
“Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
- Mas qual é pedra que sustenta a ponte? Pergunta Kublai Khan.
- A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra responde Marco-, mas pela curva do arco que estas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:
- Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Polo responde:
- Sem as pedras o arco não existe.”

ÍTALO CALVINO
As cidades invisíveis (Trad. Diogo Mainardi)
SP: Companhia das Letras, 2002
Falar sobre cidades, espaços urbanos, arquitetura... Um pedido normal para quem se debruça sobre as questões da paisagem urbana em sua lida diária. Mas a quem estou me dirigindo? Como abordar esta questão para um público de blogs? Um desafio... E ele me estimula... Então, a decisão de iniciar com o instigante diálogo do livro de Calvino, pensando que falar sobre cidades seria antes de tudo falar sobre os homens que as habitam e as controem, suas relações, sua vivência e percepção das mesmas.
O arquiteto Paulo Mendes da Rocha em seu discurso ao receber o Prêmio Pritzker, correspondente em importância ao Prêmio Nobel em Arquitetura, destaca a construção da cidade contemporânea como a aspiração maior do homem. Nesta colocação, a percepção de que o homem aspira em um âmbito maior à sua construção coletiva, à sua vida em comunidade.

E como aspirar este todo, esta possibilidade de convívio, se não nos comprometemos com ela?Queremos uma cidade segura, e nos fechamos em muros que nos segregam e fazem das ruas -o espaço que chamamos de público - em território marginalizado. Desejamos uma cidade limpa, e não nos preocupamos com o consumo excessivo de itens que acabam gerando grande quantidade de resíduos. Pregamos o verde, leia-se vegetação, como fator fundamental à nossa qualidade de vida, e não valorizamos nossas matas, as árvores das calçadas são vistas como empecilhos à visualização por câmeras, ao acesso de automóveis, etc. Reclamamos de condições de tráfego cada vez mais caóticas, e não exigimos transportes públicos de qualidade, abrigos e calçadas adequadas e acessíveis.

Estaríamos na contramão deste percurso? Prefiro crer que é possível rever ações, e que este é um momento para reflexão e revisão de posturas. Entretanto, é necessário ir além da constatação dos fatos, e partir para a fase da execução de novos parâmetros. A observação é uma etapa que se completa no fazer e refazer. Coloquemos nosso tijolo na perspectiva da construção de um arco que, afinal sustentará a ligação entre todos os homens!

Fernanda Rocha é Arquiteta e Urbanista, professora da UNIFOR e coordenadora do Laboratório de Paisagem da mesma.
Foi convidada a participar do Blog por sua aluna Ellen Yanase, integrante do grupo de Trainees Marquise 2007.