segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Do Abstrato ao Concreto.

“Certa palavra dorme na sombra de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida a senha do mundo.
Vou procurá-la.Vou procurá-la a vida inteira no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro, não desanimo,procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura ficará sendominha palavra.”
(Carlos Drummond de Andrade)


Pense rápido: O que há em comum entre uma poesia e um edifício?

Parece estranho tentar comparar esses dois vocábulos completamente diferentes. Mas ambos nascem de conceitos, idéias que os mentores querem passar para quem terá contato com o produto final.


Por vezes, vemos alguns edifícios bonitos que parecem mais obras de arte. O que há por trás deles? São conceitos que dão sentido às formas, desenhos, detalhes que para a maioria de nós agrega pouco valor, mas que para o autor, arquiteto, possui uma gama de significados.

O mesmo acontece com as poesias. O escritor tenta utilizar vários recursos para mostrar o que pensa e sente. Utiliza formas, expressões, aprofunda um determinado tema. Muitas vezes nós, leigos, não percebemos o que se passa na vida de um escritor e, por isso, não conseguimos extrair o real significado do que ele diz.

Tanto o poeta quanto arquiteto utilizam os seus conhecimentos para expressar-se. Um transforma suas idéias em texto e o outro em prédios. Ambos insistem durante anos até encontrar a real expressão de suas vidas. Essa seria a tal “palavra” que Carlos Drummond de Andrade cita e está na epígrafe.

Portanto, ao olhar para um prédio, procure ver mais do que o físico. Vá além! Busque a idéia por trás do grande bloco de concreto e aço que está na sua frente. Tenho certeza de que irá descobrir muita coisa interessante!

Iolam Júnior

Um comentário:

Deise Anne disse...

Caetano Veloso na sua música Sampa, uma homenagem a cidade de São Paulo, dizia: "(...)é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi da dura poesia concreta de tuas esquinas (...)
A conhecida "cidade de concreto" conseguiu encantar o compositor, de modo que ele a descreveu em canção.
Poesia e estruturas de concreto dialogam no texto de Caetano e no texto de Iolam. Haverá sempre um ponto comum entre os dois. Para isso é necessário ter um certo olhar inspirado e atento para poder ver além da estrutura. Belo texto!