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sexta-feira, 4 de abril de 2008

1 hora e 50 minutos e a saúde brasileira

O que podemos fazer durante 1 hora e 50 minutos? Assistir ao jogo do nosso time favorito? Ler um bom livro? Fazer uma atividade física? Terminar aquele relatório para entregar ao chefe? As atividades são inúmeras só depende da prioridade de cada um.

Porém, na última terça-feira, 110 minutos do meu dia não foram dedicados a um livro nem ao meu esporte favorito e sim à espera de uma ambulância para socorrer um fiscal da marquise que acabara de sofrer um acidente de trânsito.

1 hora e 50 minutos também foi o tempo que fiquei esperando, na segunda-feira passada, os meus companheiros de estágio interno, Jaqueline e Daniel, para podermos iniciar as atividades diárias. Não pensem que eles são indisciplinados, apenas tiveram que levar um companheiro de trabalho para um hospital, pois este, também, foi vítima de um acidente de trânsito. O resultado foi que ficaram mais de uma hora na espera do atendimento médico.

Absurdo? Falta de respeito? Descaso? Encare estes fatos como quiser, mas acima de qualquer coisa, os fatos narrados refletem a desvalorização do ser humano. É difícil identificar quem é ou quem são os culpados, mas a vítima é fácil: a vida.

Até quando iremos deixar que maltratem o que temos de mais valioso?

Não quero aqui julgar ou criticar os culpados por esta situação em que o nosso país se encontra. Até porque este blog é pequeno e as palavras insuficientes para tal tarefa. Apenas quero alertar a todos que esta situação é mais grave do que imaginamos.

Se sairmos da Rua Dr. Justo Araújo, e da Avenida Perimetral (locais dos acidentes narrados) e formos para a Cidade Maravilhosa, podemos observar que este descaso não é privilégio cearense. O adjetivo que tanto engrandece a segunda maior capital brasileira vem perdendo força para um simples mosquito em pleno século XXI. Não porque o mosquito seja forte e sim porque o sistema de saúde pública brasileiro é fraco. Basta ligar a televisão ou folhear qualquer jornal para presenciar filas enormes de enfermos na esperança de um atendimento médico.

Pois é companheiro, com o agravamento desta situação, fica claro e evidente que cada vez mais só podemos contar com o auxílio divino. Como diz o porteiro do meu prédio: “É só entregar a Deus”. Não sou adepto a esta maneira de encarar os fatos. Até penso que esta imobilidade brasileira é uma das principais causas do caos da saúde pública. Mas inserido num país em que a saúde não é prioridade, só resta uma alternativa: ser cristão, já que ser brasileiro não é a solução.
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Germano Arraes

quinta-feira, 20 de março de 2008

De quem estou falando?

Multifuncional, sensível, guerreira, mãe e companheira. Não é nenhum enigma, como o dos índios postado há cinco dias atrás neste Blog. Mas de quem estou falando? Após ler estes predicados, você leitor pensará naquela sua amiga da faculdade, na colega do trabalho, ou até mesmo na sua mãe.
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Resposta certa! E antes de criticar este trainee que vos escreve por fazer uma simples e aparente inútil pergunta, fique sabendo que essa pergunta possui múltiplas respostas. Marias, Jaquelines, Luanas, Ellens, Camilas, Evas, Anas, Alines, Fabíolas e Valérias são respostas que preenchem o vazio desta indagação. Para agradar aqueles detentores de um poder de síntese mais apurado podemos resumir estas respostas numa pequena palavra: Mulher.


Não se espante, caro leitor, não estou sofrendo de uma crise existencial de machismo e sei que oito de março (dia internacional da mulher) já faz parte do passado. Apenas quero fazer um link com um livro lido por nós, trainees, neste mês de Março: “Mulheres lideram melhor que homens” da psicóloga Lois P. Frankel. A qualidade da obra é questionável, mas a grandeza do tema abordado é indiscutível.

Não compartilho da idéia de que a liderança feminina é mais eficaz que a masculina, mas sou vítima da evolução da influência feminina nas organizações. Esta sim inquestionável. Não precisamos ir à Alemanha ou EUA para enxergarmos grandes mulheres, como Ângela Merkel e Condoleezza Rice e perceber esta evolução. Aqui no nordeste, inclusive no Ceará, temos grandes figuras femininas e não é Maria Bonita.

Estou na Marquise há quase três anos. Iniciei na Capitalize Fomento, depois passei um período no setor de qualidade do Grupo e agora estou no Programa de Trainee na área de limpeza urbana. Além do aprendizado contínuo, a liderança feminina foi uma constante nestas fases. Ana Beatriz, Keyla, Gloria Molinari e Ana Cláudia foram os fatores que possibilitaram este feito.
Coincidência ou competência feminina?

Pois é marmanjos de plantão, a mulherada está ai. Nada de fazer cara feia ou menosprezar tal crescimento. Devemos sim aprender com elas. Eu tenho feito isso e não tenho me arrependido. Só tenho mesmo que agradecer.

Por fim, um pequeno alerta para as mulheres que acessam este Blog: depois desse post nada de ficar em cima do “salto alto” e pensarem que são melhores que os homens, como Lois Frankel prega em seu livro. Assim como os homens, superiores vocês nunca foram, mas importantes vocês sempre serão.
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Germano Arraes Firmo

sábado, 26 de janeiro de 2008

Que país é este?

Em uma de suas grandes canções, Renato Russo usava a mesma frase que usei na semana passada quando saia do aniversário de um grande amigo meu, em uma churrascaria no bairro Aldeota, e me deparei com meu carro arrombado, sem o som pela segunda vez em menos de quatro meses.

Após me deparar com tal situação, questionei-me: Que país é este em que saímos de casa sem saber se iremos voltar a ver nossa família? Que país é este em que carro blindado agora é questão de sobrevivência? Que país é este em que devemos fechar os vidros de nossos carros e cercar nossas casas com seguranças para não sermos alvos de ações de marginais? Que país é este em que deixamos de comprar algo hoje para que não sejamos assaltados amanhã? Que país é este em que traficantes e assaltantes mandam mais que a polícia?

Bem amigos, este é o pais da impunidade, onde quem é punido, é o trabalhador que com muito sacrifício e luta comprou seu carrinho popular, sua casinha ou seu som automotivo e os perde como se estivesse perdendo uma simples moeda de dez centavos.

Aí fica a grande questão. Quem realmente é injustiçado socialmente? Nós cidadãos, somos ou não injustiçados? Ou isso é transferência de renda, como tanto fala nosso excelentíssimo Presidente da República com suas bolsas famílias?

Quem furta pode até ser considerado um injustiçado social por não ter tido uma escola ou um trabalho para ter uma vida melhor, mas com certeza nós, que estudamos e temos trabalho, também, estamos nesta classe de injustiçados por esta sociedade que é comandada por pessoas incapazes de mudar esta situação.

Na hora do assalto fiquei bastante chocado e abalado por ser o segundo furto em menos de quatro meses. E todos me consolaram: “Germano é assim mesmo, isso acontece”.

Será mesmo que isso é normal? A que ponto chegamos? Até quando iremos ter que conviver com essa situação, com esse conformismo? Que país é este?

Germano Arraes Firmo.