Boa noite caros leitores,
Completando o ciclo de postagens dos 15 trainees ao final da semana passada, decidimos que seria interessante abrir o Blog para alguns convidados, de maneira a compartilhar com vocês um pouco do conhecimento dessas pessoas que de alguma forma admiramos e acreditamos em sua contribuição para o enriquecimento deste.
Sendo assim, temos como primeira convidada a professora de arquitetura e urbanismo Fernanda Rocha. A seguir o seu artigo:
“Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
- Mas qual é pedra que sustenta a ponte? Pergunta Kublai Khan.
- A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra responde Marco-, mas pela curva do arco que estas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:
- Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Polo responde:
- Sem as pedras o arco não existe.”
ÍTALO CALVINO
As cidades invisíveis (Trad. Diogo Mainardi)
SP: Companhia das Letras, 2002
- Mas qual é pedra que sustenta a ponte? Pergunta Kublai Khan.
- A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra responde Marco-, mas pela curva do arco que estas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:
- Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Polo responde:
- Sem as pedras o arco não existe.”
ÍTALO CALVINO
As cidades invisíveis (Trad. Diogo Mainardi)
SP: Companhia das Letras, 2002
Falar sobre cidades, espaços urbanos, arquitetura... Um pedido normal para quem se debruça sobre as questões da paisagem urbana em sua lida diária. Mas a quem estou me dirigindo? Como abordar esta questão para um público de blogs? Um desafio... E ele me estimula... Então, a decisão de iniciar com o instigante diálogo do livro de Calvino, pensando que falar sobre cidades seria antes de tudo falar sobre os homens que as habitam e as controem, suas relações, sua vivência e percepção das mesmas.
O arquiteto Paulo Mendes da Rocha em seu discurso ao receber o Prêmio Pritzker, correspondente em importância ao Prêmio Nobel em Arquitetura, destaca a construção da cidade contemporânea como a aspiração maior do homem. Nesta colocação, a percepção de que o homem aspira em um âmbito maior à sua construção coletiva, à sua vida em comunidade.
E como aspirar este todo, esta possibilidade de convívio, se não nos comprometemos com ela?Queremos uma cidade segura, e nos fechamos em muros que nos segregam e fazem das ruas -o espaço que chamamos de público - em território marginalizado. Desejamos uma cidade limpa, e não nos preocupamos com o consumo excessivo de itens que acabam gerando grande quantidade de resíduos. Pregamos o verde, leia-se vegetação, como fator fundamental à nossa qualidade de vida, e não valorizamos nossas matas, as árvores das calçadas são vistas como empecilhos à visualização por câmeras, ao acesso de automóveis, etc. Reclamamos de condições de tráfego cada vez mais caóticas, e não exigimos transportes públicos de qualidade, abrigos e calçadas adequadas e acessíveis.
Estaríamos na contramão deste percurso? Prefiro crer que é possível rever ações, e que este é um momento para reflexão e revisão de posturas. Entretanto, é necessário ir além da constatação dos fatos, e partir para a fase da execução de novos parâmetros. A observação é uma etapa que se completa no fazer e refazer. Coloquemos nosso tijolo na perspectiva da construção de um arco que, afinal sustentará a ligação entre todos os homens!
Fernanda Rocha é Arquiteta e Urbanista, professora da UNIFOR e coordenadora do Laboratório de Paisagem da mesma.
Foi convidada a participar do Blog por sua aluna Ellen Yanase, integrante do grupo de Trainees Marquise 2007.
11 comentários:
Falar de um problema em geral é fácil, o difícil é chegar no xis da questão. Como diz no trecho do livro, apenas observar o arco e seu efeito, e não ver as pedras que o formam seria como olhar um mata e não valorizar cada ser que faz parte dela.
Reclamar disso, protestar aquilo; só faz efeito se analisarmos a causa do problema.
Assim, temos que consertar o princípio e só depois sentiremos os efeitos positivos.
Obs.: Talvez não me fiz clara, mas foi o que meu deu na cabeça....
Bela iniciativa. Ótimo artigo. Parabéns para a convidada e para o grupo.
Gostaria de parabenizar a iniciativa da equipe que criou, mantém e participa desse Blog. Como estudiosa das questões relacionadas às cidades e às paisagens que são vivenciadas por seus cidadãos, acredito que os maiores responsáveis pela catástrofe ou pelo sucesso de uma cidade, somos todos nós. Parabenizo o artigo da arquiteta Fernanda Rocha, que questiona nossas atitudes cotidianas e nos põe à prova: para sermos arco, antes precisamos ser tijolo! É preciso perceber mais nossos lugares, resgatar suas memórias, sermos gentis com nós mesmos. Abraços a todos!
Passei e li viu Fernanda !!
Mais meio ponto pra eu ???
Para mudar esse sen�rio da vida cotidiana, temos que come�ar por n�s mesmo,pois n�o procuramos fazer nada para melhorar isso. S� levamos o tempo em recalmar.E a mudan�a tem que comer�ar por n�s. Concordo plenamente com o texto.
Penso como a mikaella, todos reclamam mas agem de forma contraditória, como em algumas passagens do texto fala "Pregamos o verde...e não valorizamos nossas matas, as árvores das calçadas são vistas como empecilhos..." Reclamar, falar, exigir dos outros é fácil! Quero ver cada um fazer, se cada um não tiver consciencia e nao mudar, nada mudará!
=D
Interessante a comparação com as pedras, e que cada pessoa tem papel individual e fundamental para sua cidade; porém a solução na construção da ponte foi encontrada... O que fazer para solucionarmos esse quadro?
Ótimo artigo fernanda!
muito bom o artigo!
:)
A pergunta é: o que cada um de nós está fazendo para melhorar essa situação? Não basta apenas reclamarmos, temos que mudar nossas atitudes para tornar nossa cidade um lugar mais agradavel de se viver.
A verdade é que todos querem e precisam da ponte(arco), mais nada fazem para ajudar a construir.Não interessa se é feita de pedra ou isopor apenas a querem pronta desde que não lhes cause nenhum tipo de privação.Todos querem apenas os problemas solucionados, mas não querem fazer parte da solução.
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