Você já vivenciou situações que mudaram completamente a sua rotina, seu ritmo, e conseqüentemente, mudaram sua relação com as pessoas?Pois é, no início do Programa Trainee, fomos alertados de que essa realidade aconteceria conosco. Desde então, mudanças têm ocorrido constantemente nas nossas vidas e precisamos reordenar nossas prioridades, principalmente com relação às tarefas a serem cumpridas. Hoje, temos o foco voltado para o aprendizado e a absorção, ao máximo, do que o Programa possa nos oferecer de crescimento pessoal e profissional.
E a relação com as pessoas? Infelizmente, já não temos mais tanto tempo disponível para elas. Temos contado com a amizade, o amor e a compreensão que foram alimentados no processo de vivência pessoal nossa com amigos, familiares, namorados e afins, para reconsiderar nossos “nãos”, nosso mau-humor, nosso estresse e cansaço.
Eu, particularmente, já levei puxão de orelha e já levei sermão. Sofro com brincadeirinhas do tipo: “trainee num pode fazer isso, trainee num pode fazer aquilo” ou “trainee tem que voltar cedo, trainee num pode sair, trainee num deve aquilo outro”. E digo uma coisa: a esportiva é a melhor companheira para essas situações ou, até mesmo, um outro trainee, já que estamos no mesmo barco, e a gente acaba que se entende. Por isso, que trainee anda tudo “em bando”.
Agora, fico impressionada, como tem pessoas que nos surpreendem com exemplos de dedicação e superação diante da nossa falta de tempo para elas. Tenho um exemplo fortíssimo no meu dia-a-dia no qual a pessoa sonda os momentos em que não estará “me atrapalhando” para as conversas da semana; em que inventa pretextos de caminhadas na Beira-mar, caroninhas inusitadas, leituras de jornais e revistas sentando do lado; que faz as refeições nos meus horários totalmente desconexos, só para não deixar de fazer parte da mudança. Pessoas como essas administram melhor as mudanças do que nós mesmos. E tudo isso por quê? Porque somos prioridade para elas.
Fico pensando que uma das razões para melhor organizarmos nosso tempo e nossa eficiência é a de podermos usufruir também das pessoas. Temos essa necessidade. Nem só de trabalho vive o homem! A mãe que é executiva precisa dar atenção ao filho. O pai que vive viajando preci
sa participar do crescimento das crianças. O noivo que foi transferido não pode deixar de lado a noiva só por causa da mudança. O amigo de longas datas passou num concurso e logo passa uma borracha na sua memória e não dá mais sinal de vida pro amigo de anos...Que eu seja a primeira a ouvir...
E possa tomar como exemplo o meu pai, que presente sempre foi, mesmo no cargo de diretoria que já assumiu, mesmo com as viagens e compromissos... e mesmo com os MEUS compromissos e obrigações. Ele se faz presente!
Obrigada pai.
Luana Marques