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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

De volta...

Li com pesar – e em primeira mão – o post do Germano do dia 26/1. Ter o carro arrombado e o som furtado não é experiência das mais agradáveis, certamente. Recém-chegada de férias, reassumia minhas funções de tutora e era o primeiro texto que revisava nessa reentrèe.

E o que li me fez pensar. Foram férias maravilhosas, 16 dias em que eu, meu marido e as crianças - 4, João com 19 anos, Luis com 16, Bruno com 6 e a pequena Letizia, 1 ano e 11 meses – passeamos pelas paisagens geladas da terra do Fogo (embora fosse verão, chegamos a pegar 2ºC), pelo visual desértico entrecortado por monumentais glaciares e lagos imensos na Patagônia, pela farra de chocolates de Bariloche, pelo paraíso de mochileiros que é El Bolsón, pelo tom cosmopolita de Buenos Aires. Nas fotos, estamos em uma estância em El Calafate e o mais velho foi o fotógrafo. Na outra, meu marido está com o quarteto fantástico e eu fotografei.

Mas lendo o post do Germano percebi que o que mais me encantou nestas férias não foi nenhuma das paisagens vistas, nenhum dos lugares visitados. Foi a possibilidade de andar a pé pelas ruas sem medo. Foi a chance de passear, rir, olhar uma vitrine, entrar em uma catedral, se atrasar do grupo por cansaço, andar lentamente de mãos dadas com minha caçula e não ficar apreensiva.

Pode ter sido inconseqüência de turista, não nego. Nossos hermanos vizinhos não são perfeitos, acabaram de passar por uma crise financeira monumental que se faz se
ntir até hoje em seus preços extremamente atraentes para nossa moeda atualmente mais forte. Não recebem o turista tão profissionalmente como poderiam, tivemos nossa cota de motoristas de táxi rudes, de receptivos turísticos mau-caráter, mas nada que chegasse a empanar o brilho da viagem em si.

O que quero ressaltar é a sensação que nós, como cidadãos brasileiros, não temos mais – a cidade é nossa, é o criminoso quem tem medo de ser pego, não o cidadão. Aqui as cidades não são nossas, a paz não é nossa. No vôo de volta li uma excelente entrevista do Caco Barcelos no Almanaque Brasil, da TAM, em que ele fala com assombro de como o brasileiro, tão alegre, tão receptivo, se deixou dominar pelo lado obscuro, pela violência, sem ainda querer que isto apague o que de bom temos. É difícil andar em paz assim.

Ainda ontem, na varanda do apartamento, escutei “Mãos na parede, encoste e ponha as mãos na parede” - era uma viatura da Ronda do Quarteirão abordando dois suspeitos, policiais de arma em punho, sob o olhar curioso do meu Bruno, que ainda acha isto uma aventura. Espero e conto que este policiamento ostensivo e melhor equipado nos ajude a retomar nossa cidade. O lado negro da força não pode prevalecer...


Gloria Molinari