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domingo, 21 de outubro de 2007

Transposição do rio São Francisco

No dia seis de outubro, falamos sobre a escassez de água no mundo. Decidi aprofundar o assunto da transposição do rio São Francisco.

As obras da transposição foram divididas em 14 lotes e estão estimadas em R$ 4,5 bilhões até 2010. No ano de 2007, serão investidos R$ 485 milhões, além de R$ 248 milhões, que serão utilizados em projetos de tratamento de esgoto e revitalização.

O projeto de transposição vem causando um choque de opiniões entre os estados nordestinos. Os estados contrários ao projeto são: Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Alagoas. São considerados os estados “Doadores”. Por outro lado, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará serão os maiores beneficiários com a doação do velho Chico, pois seriam construídos canais que levariam água para o interior dos estados. Essas obras beneficiariam 12 milhões de nordestinos possibilitando melhores condições de vida e o desenvolvimento dos estados.

O desafio do governo é conciliar a revitalização do rio juntamente com a transposição do mesmo. Os estados beneficiários reivindicam a utilização da água que está sendo despejada no mar diariamente e poderia beneficiar milhões de pessoas. Os estados contrários temem que a obras possam agravar ainda mais a situação de degradação do rio.

A polêmica sobre o assunto agrava mais a situação da região e do rio. Vários estudiosos e políticos não concordam com a retirada contínua de 26,4 m³/s de água, o equivalente a 1,4% da vazão garantida pela barragem de Sobradinho (1850 m³/s), no trecho do rio onde se dará a captação. Este montante hídrico será destinado ao consumo da população urbana de 390 municípios do Agreste e do Sertão dos quatro estados do Nordeste Setentrional. Nos anos em que o reservatório de Sobradinho estiver vertendo, o volume captado poderá ser ampliado para até 127 m³/s, contribuindo para o aumento da garantia da oferta de água para múltiplos usos.

Portanto, a questão não é quantidade de água retirada. A questão a ser analisada é o impacto econômico que os estados beneficiados teriam. Eles poderiam competir em igualdade com a bacia do rio São Francisco na produção de frutas para exportação e investimentos industriais.

Martonne Filho