segunda-feira, 21 de abril de 2008

Quantas Crianças

Ingenuidade, alegria de viver, inocência, pureza e paz, sentimentos que uma criança carrega consigo, foram lançados cruelmente do sexto andar de um edifício localizado na capital paulista. A perda de sentimentos tão nobres e essenciais para uma sociedade em que o caos e a desordem reinam é lamentável.

Claro que estou falando do caso Isabella que inundou todos os meios de comunicação deste país. Isabella, no auge dos seus seis anos de idade, teve sua caminhada pela vida interrompida no último dia 29 quando foi brutalmente assassinada. O pai, o principal responsável pela proteção de uma criança, é acusado desta atrocidade.

Esta crueldade me fez parar um pouco para pensar nas crianças deste país. Sei que o caso Isabella é totalmente atípico. Mas parei pra pensar em quantas crianças perdemos a cada dia não por omissão ou falta de controle emocional dos seus pais biológicos e sim pela omissão de outros “pais”, que através de leis ou medidas mais arrojadas e eficientes deveriam garantir uma infância melhor para as crianças brasileiras.

Porém, o que estes “pseudo-pais” brasileiros fazem para melhorar a vida dos filhos desta nação que encontram no crime e na falta de educação as principais barreiras para o seu desenvolvimento? Se fazem algo, o resultado ainda não foi percebido.

Basta pararmos para pensar em quantas crianças são lançadas pelas janelas do crime organizado e do tráfico de drogas; quantas crianças são jogadas de suas casas rumo às ruas das grandes metrópoles e são vítimas da fome; quantas crianças são ignoradas e não têm a oportunidade de ter uma vida melhor, através da educação; quantas crianças perdemos para um sistema de saúde pública precário. Pois é caro leitores. Quantas Crianças? Quantos futuros brilhantes estão sucumbindo?

Sem uma mudança de mentalidade destes “pais” será difícil frear ou até mesmo aniquilar essa enorme perda da infância brasileira. É desestimulante, mas apenas o sentimento de revolta não resolve, devemos tomar alguma atitude.

Outro questionamento que não sai da cabeça desse trainee que vos escreve é o de como um país, considerado emergente, quer se tornar uma potência econômica se não cuida da matéria-prima mais básica e essencial para um crescimento futuro.

Sabemos que a situação que está desenhada diante de nós é bastante complexa para ser mudada. Entretanto, os sentimentos de solidariedade e de justiça, que contagiaram todos os brasileiros depois do caso Isabella, podem ser os primeiros passos para esta mudança que todos nós, brasileiros, desejamos.

Germano Arraes

Nenhum comentário: